SELEXYZ DOMINICANEN: entre livros, historias e memorias
A Selexyz Dominicanen, situada na histórica cidade de Maastricht, não é apenas uma livraria. É uma ideia genial que começou a ganhar forma cerca de vinte anos antes de minha própria história cruzar com a dela. Neste mês de setembro de 2026, tive a oportunidade de conhecê-la em excelente companhia. Como bibliotecária, escritora e apaixonada pelos livros, fiquei impressionada não apenas com sua dimensão e arquitetura, mas, sobretudo, com o movimento de pessoas ocupando um espaço secular que encontrou nos livros uma nova maneira de permanecer vivo.
Uma origem sagrada
A história começa no século XIII. A igreja dos Dominicanos foi construída a partir de aproximadamente 1260 e consagrada em 1294. De estilo gótico, durante cerca de cinco séculos foi um importante espaço religioso da Ordem Dominicana. Suas paredes e seus magníficos tetos ainda guardam raros afrescos medievais, testemunhos silenciosos de séculos de história.
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| Fonte: arquivo pessoal SoniaMar Passot Maastricht set.2026 |
Mas quem passou por ali e mudou o destino desse lugar?
Em 1794, durante as guerras revolucionárias francesas de Napoleao Bonaparte, Maastricht foi tomada por suas tropas. Os dominicanos tiveram que deixar o convento e a igreja perdeu sua função religiosa. A partir daí, o edifício atravessaria diferentes usos ao longo do tempo, inclusive como espaço militar.
Séculos depois, os livros chegaram para escrever um novo capítulo.
Em 2005, a rede holandesa Selexyz e o escritório de arquitetura Merkx + Girod iniciaram o projeto que transformaria aquele monumento histórico em uma extraordinária livraria.
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| Fonte: arquivo pessoal SoniaMar Passot Maastricht set.2026 |
E quanto aos livros?
Há títulos para diferentes
públicos, interesses e idades. Mas talvez o mais fascinante seja perceber que,
naquele lugar, os livros não ocupam simplesmente um edifício antigo: eles
dialogam com sua história.
Caminhar entre aquelas estantes,
olhar para o alto e encontrar séculos de arquitetura sobre nossas cabeças é
perceber como os espaços podem se transformar sem perder sua memória.
Como bibliotecária e escritora,
saí de lá com uma certeza: quando preservamos um espaço e lhe damos uma nova
função, não apagamos sua história, acrescentamos novas páginas a ela.
Maastricht, Países Baixos setembro
de 2026
SoniaMar Passot Bibliotecária
e escritora
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