terça-feira, 5 de setembro de 2017

Biblioteca Universitaria de Lyon 1 Claude Bernard - Campus La Doua

Espaço Espace Creativity & Learning

Bibliotecário Responsável do espaço Monsieur Frédéric DURAND.
Pensem entrar em uma biblioteca, e no “Hall” ou “Espace Rentrée au rez de chaussée” que fica imediatamente após a porta principal, você dar “de cara” com uma Exposição sobre Robôs.
Pois foi assim que me deparei pela primeira vez, diante de uma exposição, composta por robôs e sua formas, as criações e os objetivos de estarem ali.
Enquanto aguardava Monsieur Frederic Durand, o bibliotecário que iria me conduzir pelos novos espaços, uma vez que cheguei 15 minutos antes do horário, pude visitar a Exposição denominada “amanha os  robôs”  encantada com a dinâmica, as falas, as roupas e as historias sobre as criaturinhas inventadas pelo homem, cujo objetivo principal, naquele caso, era propor a criação de um robô que pudesse atender pessoas em uma biblioteca.

Fonte: Fotografia de SoniaMar Passot 2017 arquivo pessoal 
Monsieur Durand  explicou que a Biblioteca possui mais de 400 títulos sobre a coleção Manga e que eles fazem as exposições temáticas anuais  para associar um passatempo, que é a leitura das revistas Manga  com os campos de pesquisa e ensino da universidade. Com esta  associação o intuito é de  colaborar  com pesquisadores , estudantes e publico em geral em torno de um tema específico: tempo, esporte, gênero, matemática, química em 2016, e em 2017,  os robôs!







Retornando ao objetivo principal da nossa visita,
No espaço Learning Lab da biblioteca universitária de Lyon 1, fomos recebida pelo bibliotecário responsável do espaço  Monsieur Frédéric DURAND. Learning Lab da biblioteca universitária de Lyon 1.  O novo espaço foi concebido pelo próprio Frédéric DURAND com alguns colegas de trabalho, o objetivo desta sala  de 20m2 é  reunir  grupos de trabalho utilizando as mais recentes inovações tecnológicas durante suas sessões de brainstorming e criação. Ele é destinado a  profissionais de todas as areas e grupos de estudantes. Para utilisar a sala basta reservar, por enquanto, durante esta fase, considerada como "de testes"  nao esta sendo cobrado locaçao dos usuarios externos.

O Custo da obra foi de  16 mil euros, o bibliotecario faz o projeto, apresenta e busca os recursos e parcerias.  Uma parte paga pela Instituiçao e outra parte paga com verbas publicas da Regiao Rhone Alpes. mas, eles podem tambem procurar recursos em entidades privadas, parcerias com professores e ate pessoas da comunidade que se interessem pelos projetos. Um dos bibliotecarios, chefe de um setor me detalhou seu dia de trabalho desta forma:
"Tal como acontece com um número de gerentes em empresas, meus dias de trabalho são, em parte, reuniões geralmente realizadas em nossa biblioteca e ou  sala de conferências. Nossas reuniões de bibliotecarios raramente são feitas pessoalmente, como muitos dos meus colegas e funcionários trabalham em diferentes locais. Portanto, usamos freqüentemente videoconferências, Skype ou a teleconferencia quando o e-mail já não é suficiente. Essas reuniões abordam temas como gerenciamento de pessoal, previsões orçamentárias e resultados trimestrais, promoções anuais, catalogação virtual e serviços de referência, custos de utilização de produtos e serviços. Claro, também há algumas negociações  que aumentam nossas trocas e,  não negligenciamos as negociações internas para o uso de recursos, por exemplo, para obter a tradução de um produto. Portanto, asseguro o vínculo entre as necessidades locais e a sede para que essas necessidades sejam adequadamente atendidas. Finalmente, frequento regularmente várias conferências como expositor ou palestrante".

O Laboratório de Aprendizagem oferece dezenove assentos. É um espaço completamente dinâmico.  O mobiliário modular foi projetado de tal forma que até a parede transforma-se em quadro, 
Fonte: Fotografia de SoniaMar Passot 2017 arquivo pessoal



Por exemplo, o local para se colar post it e rascunhar Sao mini-mesas brancas que se transformam em figuras geométricas, podendo-se anotar as observações instantâneas e pensamentos rapidamente

A sala também possui equipamentos tecnológicos de ultima geração: um sistema de compartilhamento de tela "ClickShare" (o trabalho de dois computadores diferentes são exibidas simultaneamente) e caixas de expressão "ActiveExpression" (caixas sem fio)  Fiquei surpresa  tanto pela decoração colorida quanto pelas novas tecnologias introduzidas neste local, dentro da biblioteca. Este dispositivo pode ser replicado no Brasil, com uma sala especial decorada e equipada para o trabalho em grupo.
Fonte: Fotografia de SoniaMar Passot 2017 arquivo pessoal
Fonte : arquivo pessoal SoniaMar Passot 2017

domingo, 16 de julho de 2017

Biblioteca Nacional da França - Site Richelieu Lavois - A Magnifica Salle Laboustre


Com esta frase, iniciamos a terceira apresentação da série ”Estagio Profissional na França”, do qual tivemos a oportunidade de participar, por três meses, período compreendido de Janeiro a Abril 2017.
NADA é acaso, este estagio foi possível porque faz parte da trajetória profissional que construímos as duras penas, ao longo de 25 anos de carreira, e, jamais seria possível, se não tivesse havido momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e encontrado pessoas incomparáveis ao longo do caminho. 

Alcançar o sucesso profissional sempre foi e continuará sendo um desafio para todos. Na maioria das vezes, ele só aparece depois de muito esforço e de muitas tentativas frustradas.
Wiston Churchil disse uma frase que ilustra muito bem este pensamento: "o sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo".

Nosso primeiro contato com  a Biblioteca Nacional da França foi no ano de 2006 durante um Evento, do qual participamos em Paris, para o Centenário da Associação de Bibliotecários da França.  Neste ano, apresentamos um trabalho Social desenvolvido em São José dos Pinhais- PR, em uma biblioteca Comunitária da Escola Municipal Árvore dos Sapatos, em parceria com a Renault do Brasil S/A.  
Mal sabíamos, nem imaginávamos (é aqui que entram «coisas inexplicáveis», «pessoas incomparáveis»  «e aqueles momentos inesquecíveis» da frase de Fernando Pessoa. Durante este Evento, iniciava-se o processo que nos levou dois anos mais tarde,  para o mestrado  na  enssib, escola de nível superior especialmente formadora de profissionais para o “métier” do livro (bibliotecários, documentalistas, conservadores de bibliotecas, e demais ocupações relativas ao desenvolvimento destas profissões. Para informação complementar, só na França,  52%  do mercado de trabalho estão relacionados ao livro. http://www.lesmetiers.net/orientation/p1_196173/les-metiers-autour-des-livres?dossiercomplet=true


Biblioteca de  l'INHA (Institut National de l’ Histoire des Arts).


Fonte : Foto de SoniaMar Passot 2017 - Entrada da Salle labrouste 

 Fomos recebida por Madame Anne-Elisabeth BUXTORF, para fazer esta visita guiada, conhecendo também a parte que normalmente o público não tem acesso.

A  Biblioteca do Instituto Nacional de História da Arte ((Institut National d’Histoire des Arts INHA) fica no  edifício criado em 1860 por Monsieur Henri Labrouste. Possui uma magnífica estrutura e mobiliários originais, integrando os equipamentos tecnológicos os mais avançados. É o casamento perfeito do antigo com o novo e o moderno, um patrimônio histórico que associa as novas tecnologias em beneficio dos seus usuários. Esta abordagem de conservação é incrível. Esta concepção, temos, de maneira muito tímida no Brasil. As estruturas antigas são regularmente demolidas para dar lugar a novos edifícios. Por exemplo, a cúpula redonda do edifício mais antigo da Universidade Federal do Paraná , onde hoje estão os cursos de Direito e psicologia  foi completamente arrasada durante a renovação do prédio . Quem dera pudéssemos dar mais importância ao nosso patrimônio cultural e histórico, como na França. Poderíamos renova-los, recupera-los para os transmitirmos as geracoes futuras, porem guardando as suas originalidades . 
Fonte : Foto de SoniaMar Passot 2017 - o prédio onde situa-se o Site Richelieu

A Biblioteca Nacional da França e Instituto Nacional da História das Artes uniram-se criando o Site Richelieu Lavois, onde tivemos a oportunidade de passar algumas horas em função do Estagio profissional na enssib, http://www.enssib.fr/ sob a coordenação da Diretora da Biblioteca deste estabelecimento, Madame Elisabeth Noel. 
O Site Richelieu-Lavois foi o berço da Biblioteca Nacional da França, esta situada no coração de Paris.
No século   
XVII possuía vários anexos importantes como:  le Palais Mazarin, l'hôtel Tubeuf, la Galerie Mansart........A Biblioteca foi instalada na primeira metade do século XVIII.

A primeira visão para quem entra como nós, completamente despreparadas, é levarmos um choque, ao contemplar tanta arte e beleza, diante da “Salle Labrouste". Ela faz jus ao nome dado em 1936 pela imprensa “Paradis ovale.” Ou na tradução livre “Paraíso redondo” ou 'Paraíso oval'.
Esta sala é a porta de entrada para o prédio, hoje de 5 andares, que guardam o patrimônio do INHA (Instituto Nacional da História da Arte).
Fonte : Foto de SoniaMar Passot 2017 - Vista da Salle Labrouste


Toda iluminada, a luz é a característica marcante deste espaço. A iluminação vem das nove cúpulas revestidas de azulejos onde repousam em arcos de ferro ligados às dezesseis colunas que sustentam todo o conjunto. 


Fonte : Foto de SoniaMar Passot 2017 - Vista da estrutura ao alto 
Fonte : Foto de SoniaMar Passot 2017 


 As pinturas acima em tons verdes, lembra uma floresta onde a luz do sol penetrou e projeta uma claridade que permeia as arvores. Foram elaboradas pelo paisagista Alexandre Desgoffe, que expressamente colocou a representação de uma natureza verdejante, cujo objetivo é oferecer ao leitor uma sensação de paz e relaxamento, cujo efeito é de leveza, harmonia e simplicidade, e nos leva a acreditar que realmente o “quase” perfeito existe.


quarta-feira, 21 de junho de 2017

EMLYON Business School - Bibliotecas inovadoras

Porque inovar em bibliotecas ?
No Brasil, como na França, as bibliotecas procuram inovar seus serviços para melhor responderem as necessidades dos usuários e reforçar sua atratividade em um contexto cada vez mais concorrencial e porque nao dizer, comercial ?
Nossa estadia na França de janeiro a março de 2017, nos permitiu identificar práticas inovadoras em bibliotecas universitárias,  que poderiam ser igualmente aplicáveis no Brasil. Este projeto de cooperação internacional foi possível graças a colaboração de profissionais da ENSSIB, através de Yves Alix  Elisabeth Noel (Monsieur Yves Alix Diretor da ENSSIB e Madame Elisabeth Noel Diretora da Biblioteca), que não pouparam esforços em relação á organização das visitas ás Instituições concernentes.
Tivemos também por objetivo apresentar imagens inovadoras da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e das bibliotecas que compõem o Sistema de Bibliotecas (SiBi), mas particularmente  mostramos a Biblioteca do Campus Rebouças, onde atuamos profissionalmente. Para isto, realizamos a apresentação dos serviços e práticas profissionais das bibliotecas da UFPR, suas ações e  seus desafios. Nas páginas que se seguem, elaboramos nosso relato desta experiência, para nosso segundo artigo deste blog, em mais uma das bibliotecas  que visitamos, que inovaram seus espaços trazendo reflexões através de práticas realizadas em seus Learning center innovation. [2]
Consideramos propor algumas recomendações ao longo deste texto,  que poderão ser aplicadas nas bibliotecas, daqueles(as) interessados em ter ’un nouveau regard’,  condicionado, evidentemente,  em investimentos financeiros disponibilizados para tais ações.


Esta escola,  EMLYON Business School, uma das mais antigas do mundo na área  de Comércio, fundada em 1872, possui outros Campi, além de Lyon  (objeto da nossa visita) Paris e Saint-Étienne,  na França. Está representada em Casablanca, no Continente Africano e Xangai, Continente Asiático.
 Cerca de 26.000 estudantes já passaram por ela,  representando mais de 80 nacionalidades. Seu mestrado em Administração foi considerado como o 30º do mundo pela Financial Times http://rankings.ft.com/businessschoolrankings/masters-in-management-2015 entre outras avaliações internacionais.
É bom dizer que consideramos, após nossa visita, realmente a Biblioteca faz justiça ao contexto da Escola no seu todo.

A Bibliotecária Madame Émilie ROUSSEAU trabalha nesta Instituição desde 1999. Estava muito feliz em apresentar seu belo projeto, ao qual, segundo ela, ficou pronto em seis meses.
Vista da frente da Biblioteca - Foto de SoniaMar Passot 2017
Seu chefe, Diretor da Escola, no inicio de 2015,  chamou-a em um determinado dia e disse-lhe : tenho uma ideia para a Biblioteca e dois milhões de euros, preciso da parceria de uma bibliotecária dinâmica e inquieta para executar, você aceita ?
E a resposta teria que ser naquela hora. Portanto nossa colega disse sim, e a partir daquele momento, pelos próximos seis meses sua vida seria um turbilhão de engenheiros, arquitetos, empresas de mobiliários, planos, projetos, desenhos, discussões infindáveis, sem horário para iniciar ou terminar o trabalho. Corajosa não ?

Sobretudo porque no meio do caminho, ‘tinha uma pedra’ faltaram um milhão de euros. A  reorganização da Biblioteca teve um custo final de 3 milhões de euros. Claro que conseguiram o valor, apelando para um Banco privado e na negociação, a Biblioteca passou a chamar-se, Espace Creativity & Learning Hub Crédit Agricole de l'EMLyon Business School.
Poltrona de leitura - Foto de SôniaMar Passot 2017
Poltrona de leitura - Foto de SôniaMar Passot 2017


Outra informação que recebemos da nossa simpática Émilie ROUSSEAU, a quem agradecemos pelo sorriso, alegria, competência e o delicioso cafezinho.  Retornando á informação que não é nenhum segredo, pois ela disse que poderíamos escrever sobre o assunto, relatou-nos que a Biblioteca recebeu ainda, algumas centenas de doações, entre elas a  de antigos Professores que deram nomes às salas (lindíssimas)  que são utilizadas pelos estudantes. Razão pela qual, estas salas de estudos possuem os nomes dos ilustres doadores que assim manterão sua memória no local onde trabalharam e viveram por tantos anos. (uma prática que poderíamos adotar no Brasil, uma vez que estas doações são valores que deveriam ir para o Imposto de Renda Frances. Nesta altura da conversa, pensei na nossa simpaticíssima,  admiradíssima e benfazeja LEI ROUANET, que, com todo o dinheiro já gastos (dos nossos impostos)  daria para fazer quantos espaços como este, se fosse realmente o que deveria ser.
Retornando ao mundo Europeu, (depois destes breves e fugidios instantes em pesamento direcionado ao Brasil ),  os números impressionam !
São 1300m² de espaços renovados, para facilitar as trocas e o aprendizado colaborativo, 350 lugares sentados, postos de trabalho individual com acesso livre ou sob reserva, móveis modulares, 13 salas redondas transparentes com isolamento acústico para reuniões, 300m2 de salão de trocas e conversas, conteúdos disponíveis 365 dias ao ano, acessos eficazes ‘full web’ e interface única de busca de alta performance, Arvore acústica no empréstimo, espaços de aprendizagem ativos e inteligentes, com materiais lúdicos e originais, paredes onde podem se escrever, PC táctil, Led, empréstimo de tablet ou e-reader de leitura para livros on-line. Um cuidado particular foi pensado para a sonoridade do espaço, para que, os grupos que interagem entre si não incomodem uns aos outros, mesmo falando normalmente.
Vale a pensa assistir vídeo de 3 minutos no dia da sua inauguração:  15 setembro 2015.
Caixa disponibilizada para utilização dentro das salas estudos -  Foto SoniaMar Passot 2017
A entrada do espaço é dedicada ao recebimento dos usuários, com informações e empréstimos de livros físicos. Este espaço também é insonorizado graças a acústica do que foi denominado de « l’arbre à palabres »[3]. Na parede esta projetada a palavra « DATAviz » : uma representação animada em tempo real das atividades de leitura e de consultas dos e-books nas bibliotecas mundiais que utilizam esta base de dados  ‘ScholarVox’. No dia da visita, havia no Rio de Janeiro uma biblioteca conectada (Instituto Osvaldo Cruz).
Outros serviços propostos são o empréstimo de ‘tablets de leitura’ e materiais de escritório como (borrachas, lápis papel, pos-its, canetas ), que são deixadas nas salas de estudos para os estudantes utilizarem. São caixas pequenas, departamentadas e dentro estão os materiais. A bibliotecária nos explicou  que normalmente não são conferidos, apenas se repõem o material durante a manutenção dos espaços.
Impossível de recriar este tipo de atendimento no Brasil atualmente,  por falta total de financiamentos e investimentos, como todos sabemos, porém acreditamos que podemos nos inspirar, notadamente nas questões de sonorização dos espaços de trabalhos colaborativos.
Atualmente têm se debatido no Brasil maneiras de se fazerem cartazes que proíbem os estudantes de falarem dentro das bibliotecas, porém, poderemos refletir em meios que lhes permitam de interagirem sem incomodar os outros, senão estaremos indo na contramão das novas possibilidades que surgem neste quesito ao redor do mundo.
Entretanto, sobra uma questão muito pertinente que ao longo de toda a visita me perguntei : cadê os 20 000 livros ?  Não estão visíveis neste espaço. E sómente ao final ficamos sabendo que eles estão colocados no subsolo do prédio e os estudantes devem fazer solicitações específicas, caso desejem ter acesso. Alguns professores, andam implicando com isto, tanta modernidade, principalmente os mais clássicos e solicitam que o  acervo fique  disponível para os estudantes, professores, pesquisadores ‘sur place’. Uma questão se apresenta fortemente neste contexto : Uma biblioteca sem livros, é ainda uma biblioteca ?


[2] Local que possui uma  gama muito ampla de serviços –Um lugar âncora nas bibliotecas, espaços diferenciados, neste  momento da imaterialização de serviços e acervos.  Ricas coleções on line,  multisuportes diferenciados com equipamentos de informática de ultima geração,  forte presença  do mundo digital  e alta tecnologia. http://www.abf.asso.fr/fichiers/file/MidiPyrenees/JE_19_05_14_s_naegelen%20(1).pdf
[3] L'arbre à palabres faz parte das imagens da Africa  herdadas das histórias de anciões que passam suas vivências de geração em geração, sempre embaixo de grandes e frondosas árvores.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

A inovadora Biblioteca na Universidade de Lille - França



Convidada para fazer um estagio profissional de três meses pela Escola Superior de Ciências de Informação e de bibliotecas situada na cidade de  Lyon no Campus LA DOUA, que fica em um bairro antigo e charmoso pertinho de Lyon chamado  Villeurbane,  na França, Aceitei com prazer e fui conhecer os cantos e encantos dos novos espaços concebidos nas bibliotecas de  algumas Universidades de Norte ao Sul, leste e oeste, na França.

Não pude visitar todas, evidentemente, pois, para uma visita os tramites necessários são muito “burocráticos”, ou melhor, corretíssimos. Envolvem varias pessoas, logística demorada, além de horas de deslocamento de um ponto a outro. Ônibus ou trem, não importa, compra-se as passagens com antecedência, nada é resolvido “em um minutinho”.
O profissional que vai nos receber se prepara com antecedência, é sempre pontualíssimo (espera o mesmo de você) e diz formalmente alguns dias antes onde será o local exato, que horas vai iniciar a visita, que horas vai terminar. Caso você  almoçar ou simplesmente tomar um café, tudo é combinado com antecedência. Razão pela qual, é muito importante você também organizar-se com a mesma precisão, para fazer jus ao anfitrião. Vamos compartilhar neste blog nossas visitas em cada uma das unidades, procurando ser fiel ao que nos foi oportunizado conhecer, vivenciar e aprender.
Iremos fazer em partes, para que nosso leitor não se chateie com tanta informação.

Vamos começar pelo final,  iniciaremos estas postagens com a nossa ultima visita, na Universidade de  Lille, situada em Villeuveuve d'Ascq. 
Atualmente,  com as alterações regionais ocorridas na França, Lille pertence à  Região “Nord Pas de Calais” e conta com uma população em torno de 227 mil habitantes. Dos quais 70 mil são estudantes universitários distribuídos em 3 universidades da Região..

Esta região possui quatro espaços denominados “Learning Center Innovations “, escolhemos um para visitar.

A definiçao para este termo foi traduzida do original em frances pela autora:  "Local que possui uma gama muito ampla de serviços –Um lugar âncora nas bibliotecas, espaços diferenciados, neste momento da imaterializaçao de serviços e acervos. Ricas coleções on line, multisuportes diferenciados equipamentos de informática de ultima geração, forte presença do mundo digital e alta tecnologia".

http://www.abf.asso.fr/fichiers/file/MidiPyrenecom . es/JE_19_05_14_s_naegelen%20(1).pdf


LILLIAD Learning center innovation. 
Fomos recebida por Julien ROCHE et Laurent MATEJKO, bibliotecarios responsaveis pelo espaço e os reponsáveis pelo projeto.  https://lilliad.univ-lille.fr/




Fachada da entrada do prédio onde situa-se a biblioteca 

Um espaço moderno, mesmo com o prédio redondo tendo completado 53 anos de vida. Um mobiliário bem especifico concebido para o conforto, o bem estar e para dar desejo de permanecer. Nesta nova biblioteca, contrariamente ao Espace Creativity & Learning Hub Crédit Agricole de l'EMLyon Business School, os livros estão presentes. Uma particularidade que me chamou atenção é que logo na entrada do prédio da Biblioteca , encontramos disponível um mapa de localização dentro do espaço. Parece com aqueles mapas encontrados nos shoppings para nos localizarmos. Perfeito. Outro detalhe, o tempo todo o bibliotecário me dizia, priorizamos os pontos de rede, não queremos que nossos usuários fiquem sem internet e bateria.


 
Todas as estantes possui em seu torno luzes de 'Led' para facilitar aos usuários a  visibilidade dos números de classificação 



LILLIAD oferece espaços de trabalho individuais, mas também e sobretudo salas de estudos em grupo. Possui 50 salas atualmente, com 1, 4 e 6 lugares, á escolher. Existem critérios para as reservas, que são feitas em seus smartphones através de um aplicativo criado especialmente para este gerenciamento, chamado de  « Affluences ».




Escada da acesso ao primeiro andar, foto de SoniaMar Passot 2017



Espaços de convivência - foto de Soniamar Passot 2017


Poltronas para leitura individual 


Todas as salas são equipadas com dispositivos informáticos performantes (video-conferencias, écrans colaborativos, material especifico para deficientes auditivos e visuais). A sonorização é assegurada graças a materiais especiais, presentes do forro ao solo. Possui também um grande espaço para convivialidade, com baquetas, poltronas, e sofás, e uma cafeteria aberta aos estudantes que frequentam os espaços.
Além disto, LILLIAD propõem um laboratório de Oceanologia e Geociências principalmente nos domínios do Litoral e das costas marinhas, participando concomitantemente no estudo de  outros sistemas marinhos, entre os quais, Guyana, Atlântico Norte, Mediterrâneo, Vietnam. Estes laboratórios são dirigidos por seis equipes. O programa pedagógico do laboratório é concebido em colaboração com os bibliotecários. E um laboratório destinado a um publico mais jovem que se inspiram nas atitudes dos mais velhos. Portanto foi imaginada uma interface entre a pesquisadores, pessoal tecnico administrativo, estudantes de doutorado da Universidade e as escolas segundo grau, alem das parcerias com empresas e outras Instituições. 

LILLIAD Learning center innovation em números : o projeto necessitou de 11 anos para ser concebido no papel.  30 milhões de euros para a concepção de seus 7 mil m2 . Ficou pronto em cinco anos. São 50 salas para grupos de estudos repartidas em 2 níveis, 2 salas de conferencias de 209 e 110 lugares, 01 sala de inovação pedagógica, 01 espaço café de 90 lugares instalado no nível 1, 02 salas de projeção com 40 lugares.
No total soma-se 1 420 lugares e 485 pontos de acesso a internet em rede logica, alem da rede wifi.
Postos de pesquisa do acervo 6 foto SoniaMar Passot 2017 

Aberta no final de 2016, a biblioteca é o pulmão da Universidade de Lille, chamam-na de cidade cientifica, que renasceu como ‘Learning Center Innovation’, é o templo do conhecimento do seculo XXI destinado aos estudantes, as empresas e ao grande publico, impondo-se como a mais inovadora  biblioteca da França.






terça-feira, 30 de maio de 2017

Repensar as bibliotecas , respondendo as questoes de Raphaelle Batts


Foto de Soniamar Passot 2017


Sete anos apos obter o Diploma de Mestrado em Ciencias da Informacao e de Bibliotecas, Sônia Mara Saldanha Bach Passot, bibliotecaria brasileira retorna na ENSSIB para rever os novos conceitos das bibliotecas francesas, em espacos repensados. As descobertas realisadas poderao permitir melhores respostas aos anseios de  jovens estudantes universitarios no Brasil,   que esperam hoje, muito mais que emprestimo de livros,



1 - Depois de permanecer na  ENSSIB este periodo de tres meses  o que você considera importante,  deste aprendizado com colegas bibliotecarios franceses?

Durante meu estagio na  ENSSIB, tive a oportunidade de visitar lugares excepcionais  gracas a  Elisabeth Noël, diretora da Biblioteca. Estas  visitas e conversas me permitiram conhecer alguns profissionais e fiquei particularmente tocada pelo trabalho destes colegas   bibliotecários, pelos esforcos e  investimentos pessoais  que fizeram, em funcao destes novos espaços que criaram, pensando sobretudo ​nas gerações futuras. Estes colegas, trabalham continuamente com um olhar voltado para o  futuro, e fazem evoluir suas estruturas e suas praticas profissionais para adaptarem se as mudancas. Hoje no Brasil,  procuramos nos informar sobre as praticas culturais e patrimonais que ocorrem em alguns paises, para mim, particularmente na Franca, com o objetivo de nos inspirar, sempre tendo em vista que os nossos meios financeiros sao muito limitados. As estruturas que visitei na Franca me inspiraram e eu gostaria muito de poder trabalhar  algumas ideias interessantes, adaptando-as para nossa realidade.

Espaco Creativity learning Hub - Lyon 2017







2 - Durante a sua estadia na França e de suas  visitas a  outras bibliotecas quais  serviços ou coleções que você tenha  particularmente se interessado ou que te surpreendeu ?
Sem dúvida alguma,  fiquei encantada com a biblioteca do Instituto Nacional de História da Arte (INHA). A renovação do edifício criado em 1860 por M. Labrouste,  a magnifica estrutura e o mobiliario original integrado com os equipamento tecnologicos mais avancados  É o casamento bem-sucedido do  património histórico antigo e  o moderno, os avancos  tecnologicos, permeando o antigo. Esta abordagem de conservação e incrivel.
Esta concepcao, temos, de maneira muito timida no Brasil. As estruturas antigas são regularmente demolidas para dar lugar a novos edifícios. Por exemplo, a cúpula redonda do edifício mais antigo da Universidade Federal do Parana , onde hoje estao os cursos de Direito e psicologia  foi completamente arrasada durante uma renovação. Eu gostaria que pudessemos dar mais importância ao nosso património cultural e histórico, como na França. Poderiamos renova-los, recupera-los para os transmitirmos as geracoes futuras .
Biblioteca do INHA - Foto de Soniamar Passot 2017

Biblioteca do INHA - Foto de Soniamar Passot 2017









3 - De maneira geral, o que este estagio na ENSSIB te ensinou?
Este estágio na Biblioteca do ENSSIB me permitiu ter  um novo olhar sobre biblioteconomia. Devemos repensar as bibliotecas para atrair os jovens. Na minha juventude, iamos a biblioteca  apenas  para ler e ou buscar livros. Hoje, e uma outra realidade. Uma biblioteca deve fornecer novas ferramentas digitais e atividades relacionadas à tecnologia da informação e comunicaçao. Os novos espaços, que conheci na Franca, dedicados a estas tecnologias, chamados Learning Center "Centros de Aprendizagem" são o futuro das bibliotecas e fazem um enorme sucesso. Por exemplo, na Biblioteca da Universidade de Lille, esta  inovação atrai 1.800 alunos todos os dias. Estas novas praticas estao iniciando no Brasil, ja temos, por exemplo espacos nas bibliotecas para exposicoes, emprestimos de lap tops e certamente outras experiencias,  mas devemos ainda desenvolver, por exemplo, demonstracoes de equipamentos tecnologicos, como tablets de leitura, e oferecermos  emprestimos  de novas ferramentas tecnologicas. Nos vivemos uma expansao extraordinaria das novas tecnologias, e um momento crucial da historia comparada a revolucao industrial. O desafio dos bibliotecarios e de adaptar- se e proporcionar aos estudantes e usuarios das bibliotecas de viverem plenamente esta revolucao.