segunda-feira, 10 de maio de 2010

Carta para uma amiga em Curitiba


Villeurbanne, 9 de junho 2009

O tunel do tempo

A vida é mesmo interessante e nos estamos longe de saber os propositos de Deus para cada um nesta terra. Hoje, passei por uma nova experiencia que gostaria de compartilhar com voce.
Ingles é um idioma importante para o desenvolvimento de habilidades e competencias neste mundo moderno e pleno de competitividade. Mas eu penso que na vida temos de fazer escolhas. Por isto, minha escolha foi, desde sempre, estudar frances. Passei pelo Curso de Letras na Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro e escolhi fazer letras Portugues – Frances. Mais tarde, quando entrei no Curso de Biblioteconomia, fui para o Centro de Linguas da Universidade Federal do Parana e fiz frances instrumental (dois anos) depois para a Aliança Francesa de Curitiba e là se foram gastos (além da parte financeira) seis anos da minha vida. Dedicaçao, aprendizado, alegrias e contentamentos por descobrir um idioma que sempre me atraiu e que eu tive o maior prazer em estudar. Continuo estudando, descobri aqui na França que nao sei nada.

No curso de mestrado aqui em Lyon, na Escola Nacional de Ciencias da Informaçao e de Bibliotecas, tenho uma disciplina obrigatoria de ingles.
Para mim, que pensei ter feito a escolha certa, foi uma decepçao ter que enfrentar esta verdadeira “batalha” . Por que escolhi frances? Me perguntei tantas vezes, tal o meu desespero diante de palavras que para mim nao tem significado algum.
Para encarar este aspecto anguloso fui buscar o significado da “representatividade” . Se nao tenho experiencias, nem conhecimentos anteriores, nao existe uma correspondencia entre mim e o idioma ingles. Logo o conceito de “representaçao” nao existe para mim. E me senti perdida.
Escolhi esta definiçao de representaçao para explicar minha angustia diante do desconhecido idioma ingles. «Imagens que condensam um conjunto de signigficados, um sistema de referencias que permitem interpretar alguma coisa que desconheciamos” (Jodelet, 1992).

Mas, é preciso ir enfrente. Mesmo se a cada semana, no dia do curso de ingles, terça feira das 9:30-13:00h entro na sala, tenho arrepios e sinto vontade de chorar. Procuro pensar que é apenas mais um desafio, um novo obstaculo e que Deus vai me ajudar a superar. Estou aqui para aprender, e quem sabe preciso aprender alguma coisa que consigo suportar no “limite” da minha vontade

Imaginar o que é, penso ser impossivel. Nao se pode imaginar o desconhecido. Precisamos ter um referencia e se alguém teve esta experiencia, certamente sabera. E preciso ter o sistema de correspondencia da representatividade consciente, para poder se colocar no lugar do outro. Ingles avançado para quem nunca estudou ingles, vamos la. “Sou brasileira e nao desisto nunca” Faço os trabalhos como todos os alunos. Tive apenas uma concessao: no dia da prova escrita, a professora deu cinco textos relacionados a “Tecnologia de energia solar” para fazermos uma redaçao sobre o assunto. Para mim, concedeu o direito de usar a internet para traduzir os textos.

Eu apresento textos oralmente, lendo, sem saber pronunciar, as vezes me sinto ridicula, mas continuo, nao desisto. Se é um desafio ou um aprendizado para a vida, uma liçao para mim, nao sei.

No dia 9 de junho era minha vez de contar uma estoria. Esta estoria começou no segundo dia de aula, com tres personagens (dois homens e uma mulher). A cada semana um aluno continuava a estoria a partir do momento em que o outro parou.

Uma noite, eu acordei com o pensamento voltado para a minha estoria. Preocupada, pensei: mas o que vou fazer? Nao sei nada.
Dormi, e no dia seguinte acordei com a imagem do filme Titanic na minha mente. Entao comecei a pensar minha estoria teria que ter uma ligaçao com o filme. Entrei na internet, e fui procurar o filme. Pesquisei os personagens, ouvi a musica e mais tarde assisti o filme novamente.

E surgiu a ideia de representar. Criar um personagem para contar minha estoria.
Novamente o termo “representatividade” agora do outro lado, o lado “inconsciente” do termo.
Eu mergulhei na busca do meu inconsciente para representar. O filme eu conheço, a musica eu conheço e o personagem que escolhi “Rose” eu conheço. Estas representaçoes estao na minha memoria desde pequena. Inconscientemente fazem parte da minha estoria de vida. Quem nao teve uma avo? Quem nao viveu um grande amor? Quem nao se sensibilizou com uma bela cançao? Quem nao se emocionou com o filme “Titanic”.
Agora conheço meu “campo de açao”.
A partir deste dia, depois de um mes de aula, pela primeira vez,n me senti feliz e pensei EU POSSO, vou fazer. Comecei a acompanhar as estorias dos outros alunos e na minha mente a minha estoria ia criando contornos. Contratei uma colega do curso para me dar algumas aulas de ingles, o basico (pronomes e verbos no passado, futuro e presente) estudei 30 horas com ela. Escrevi meu texto em portugues, depois em frances e finalmente em ingles. Pedi para algumas pessoas lerem e corrigirem. Fui fazer um cursinho de 2 horas de maquiagem, aprendi a fazer “envelhecimento” de pele para o teatro. Comprei uma peruca, um vestido meio verde musgo, como o personagem de Rose no filme Titanic
Interpretei a mulher das estorias contada pelos alunos nas semanas anteriores, mas agora idosa Escrevi minha estoria com o titulo O TUNEL DO TEMPO.
No dia da apresentaçao, sai da minha casa maquiada e vestida como Rose. Entrei no banheiro feminino e fiquei la. Uma colega do curso chegou mais cedo, colocou o computador na mesa. Combinamos que quando todos os alunos e a professora entrassem, ela colocaria a musica com as imagens do filme e ligaria do seu celular para que eu pudesse ouvir que “ a representaçao começou”. Depois ela colocaria uma cena que que Rose aparece e olha para o seu desenho maravilhoso e começa a contar sua estoria. Ela para o filme nesta cena para, e so entao eu entro na sala. Maquiada e vestida.
Ela me faz uma pergunta: Mammy tells me how you met Pappy?
Eu sento e começo a interpretar minha estoria. Lendo, gesticulando e conversando comigo mesma, EM INGLES!!!!!!!!!
Hoje, estou ADMIRADA !!!!!!
Admirada com a vida, que grande Escola!!!!!!!!
Hoje eu dei um novo sentido para a musica My heart wil go on com Celine Dion.
Ao representar a velhinha Rose para a turma do primeiro ano do curso de Ciencias de Informaçao e Bibliotecas, houve um momento magico, novo.
Um outro angulo, outra dimensao surgiu. Os alunos aplaudiram e a professora disse em frances “Magnifique Sonia Mara.

Talvez, eles poderao fazer uma reflexao sobre isto, assim como eu estou fazendo agora.Este é o misterio. Descobrir, em cada momento, este olhar diferente, especial sobre a vida de cada um de nos. Momentos de plena descoberta........

Alguem mudou, um coraçao se enterneceu, um sorriso apareceu, tivemos um momento de encanto e sonho!!!!!!!! O amor esteve presente naquele momento.
Sera este o proposito de Deus para nossas vidas ?
Mostrar o amor desta forma, um pouco diferente.... Quem sabe?



Referencia Bibliografica
JODELET, Denise. « Représentation sociale : phénomènes, concept et théorie » in Psychologie Sociale sous la direction de S. Moscovici. Paris, Plif, 4.éd. 1992. P. 357-386.

Duas bibliotecarias brasileiras no 76° Congresso Internacional e Assembleia Geral da IFLA, Suecia em agosto 2010

Bibliotecárias Brasileiras selecionadas pela IFLA, para o Congresso Internacional cujo tema sera Acesso Livre ao Saber, promover um progresso duravel realisar-se- à de 10 a 15 agosto 2010, na Suécia.

A Federação Internacional de Associação de Bibliotecas (IFLA) ofereceu bolsas para seu congresso de 2010 em Gotemburgo (Suécia) para bibliotecários da Asia/Oceania, Africa, América Latina e Caribe. De acordo com a IFLA, os vencedores receberão um total de 2.000 euros cada para cobrir as despesas de inscrição no evento, hotel, e despesas adicionais.


Na América Latina, Janete B. Estevão que trabalha em uma biblioteca corporativa e Elisangela Alves Silva que trabalha em uma biblioteca pública são as duas bibliotecárias brasileiras selecionadas para receber a bolsa e participar do Congresso Mundial IFLA de Bibliotecas e Informação de 2010 em agosto na Suécia.

Lucia Shelton, Rerente Regional OCLC para America latina e Caribe, perguntou a elas como se sentiram ao saber que foram selecionadas e estas foram as respostas:


Janete:


Ao receber a comunicação de aceite para a participar dessa conferencia internacional da IFLA, fiquei muito feliz pois com certeza me trará um melhor entendimento do papel dos profissionais da informação em nível mundial e como as nossas instituições tem superado os desafios que tem se apresentado em nossas áreas de atuação na atualidade, além das melhores praticas que tem sido exercidas. Também fiquei entusiasmada em poder compartilhar as minhas experiências no segmento de biblioteca corporativa, em poder manter contato com profissionais e parceiros de negócios, pois acredito que apenas com uma forte rede global poderemos alcançar uma performance eficiente e de valor.

Elisangela:

É dificil descrever em palavras o quão feliz fiquei ao ver o e-mail e saber que fui selecionada! Participar do Congresso da IFLA 2010 é, para além da oportunidade de aprendizado e aprimoramento, uma abertura para ampliar conhecimentos, saberes, fazeres e trocas culturais entre os participantes que certamente marcarão a minha vida.
Fiquei mais feliz ainda em compartilhar tal alegria e vivências com a Janete, outra selecionada do Brasil!

Outros países da América Latina e Caribe com bibliotecáriso selecionados foram Argentina, Barbados, Peru, Haiti e Porto Rico. Parabéns a todos vocês!

http://www.slideshare.net/OCLCLAC/cbbd-oclc-apresentao-oral
Documento disponivel no blog de Lucia Shelton (consultado em 11 de maio 2010)

Contatos com Elisangela e Janete
ealves@usp.br
janesbach@hotmail.com

domingo, 9 de maio de 2010

Conselho de uma mae bibliotecaria!!!!!!

LER, E LER SEMPRE

Este é um tema que motiva o ser humano há milhares de anos e, no entanto, permanece na pauta do dia. Aí vão alguns exemplos:

O filósofo Tales em seus ensaios dizia que "o sucesso verdadeiro é, entre todas as coisas, o que causa maior satisfação, sendo que o auto-conhecimento é o aspecto mais essencial para torná-lo duradouro".

Como dizia Descartes nos seus ensaios: “penso, logo existo”, essa é a base da sabedoria, da busca do auto-conhecimento e porquê não, do sucesso !!!

Já Tom Morris, afirma que "o verdadeiro sucesso nos negócios e na vida envolve três coisas - descobrir nossos talentos, desenvolvê-los e utilizá-los tanto para o bem alheio quanto para o próprio bem.

Buscar Conhecimento. Conhecimento é poder, mais sabemos mais podemos. Mais sabemos, mais podemos aprender. Mais compreendemos a vida, o mundo, a natureza, o ser humano, isto é crescimento

Portanto podemos buscar fonte de inspiração para esta verdade folosófica em nossas Bibliotecas brasileiras (Publica, Municipal, Universitaria, Escolar, Empresarial.....)

“Ler para viver!”

A leitura é importante, literatura aumenta o repertório, sensibiliza e aproxima as pessoas das situações. Ler aumenta o poder de percepção e de compreensão da vida. A literatura apaixona e acaba dando conteúdo e base para encararmos a vida.


A leitura ainda ajuda na aproximação das histórias de vida e aumenta
a capacidade de analisar e de compreender o mundo. É importante ler para fazer perguntas sobre qualquer assunto na vida. Ler para viver e aprender, APRENDER!
Aprender a olhar, ainda antes do que ver; aprender a escutar e a entender, muito antes do simples ouvir e julgar... aprender a pensar, que é muito mais complexo e instigante do que o acúmulo de saber. Aprender é essencial porque incita o desejo de "ir além", de querer mais, sempre mais!

Estamos vivendo um momento privilegiado, nós Brasileiros, temos bibliotecas, temos oportunidades para frequentà-las, a vida pode se tornar mais alegre e maravilhosa se embarcarmos na estoria de um bom livro ....nossos filhos terao sempre a nossa imagem como fator determinante para o sucesso de suas vidas.

Minha mensagem para as queridas Mamaes do Brasil, neste segundo domingo do mes de maio 2010 !

Sônia Mara
Bibliotecária
Navegar é preciso

Todos nós temos um sonho. Isto é bom e especial. Porque?
Porque viver é um evento inexplicável e o ser humano, cada um de nós, possui umas histórias fascinantes, independentes dos nossos erros e acertos, vitórias e derrotas.

Nesta reflexão, gostaría de dizer, que os problemas jamais vão desaparecer de nossa bela e breve existência na terra, mas a sabedoria para superá-lo consiste em extrair das dores a alegria, das decepções forças, dos fracassos coragem, dos erros aprendizado.

Difícil? É sim, e muito. Mas quem disse que seria fácil?
Lembro que na minha formatura como Bibliotecária, nos idos anos de 1998, fui oradora da turma. E escrevi a seis mãos, um texto cujo título era NAVEGAR É PRECISO...VIVER NÃO É PRECISO (Fernando Pessoa)
Hoje, dez anos mais tarde, reescrevo este texto, agora a oito mãos, pois a experiência de ser avó fez com que eu possa a ver a vida, com um ollhar diferente. Maroto, traquinas ......desestressado e cheio de esperanças.

Estamos em 2008 , cheguei a conclusão de que muita dedicação e trabalho foram necessários para atingir os objetivos a que me propus para o crescimento Espiritual, Pessoal e Profissional. A cada dia, com amor e dedicação, fui galgando, avançando, retrocedendo quando necessário. Investindo sempre que preciso, nas vidas, nos amores eternos, aqueles que jamais deixam nossos corações. Aprendendo com cada um, amigos queridos, como vocês, aprendendo novamente, reaprendendo, aproveitando os momentos quando posssível, rindo e chorando, mas avançando sempre. A vida não pára (ainda bem).

Percebi, que os investimentos têm aumentado, proporcionando melhoria na qualidade da vida, na segmentação do conteúdo do coração, na atualização das notícias boas, e, em seu espaço físico (agora ampliado, com alguns quilinhos a mais) devido às mudanças e remanejamentos dos anos.



Por isso, além de ter avançado em uma grande escala, (de anos vividos) ainda posso me considerar privilegiada por ser e fazer parte parte das estatísticas da VIDE REVISTA VEJA ano, n. mês , faço parte daquela estatística admirável das pessoas com mais de 50 anos que voltaram a estudar, e a se RE – preparar para a nova vida pós – cinqüentenário e assim, lá vou eu para uma Universidade das mais conceituadas da Europa, fazer Mestrado em Ciência da Informação e Bibliotecas. École Nationale de Sciences de Information et dês Bibliothèques – Villeurbanne – Lyon – France

Minha Formaçãp inicial na Universidade Federal do Paraná, no curso de Biblioteconomia, as formações no Centro de Línguas da Universidade Federal do Paraná cuja coordenação da maravilhosa Professora Lucia Cherem, sempre presente, motivando, incentivando, abrindo caminho e insistindo no idioma francês,
A bolsa de estudos da Aliança Francesa, curso noturno, também agregam um imenso valor a esta trajetória.

Estou iniciando um Novo Tempo, e não posso ignorar que é um momento privilegiado, porém complexo, mas irreversível. (Agora vai ...)

Um intercâmbio entre bibliotecários, entre Universidades, a troca do conhecimento é um avanço da nossa Era Tecnológica, Sabemos que esse avanço tecnológico nos oferece facilidades. É inquestionável o aspecto positivo que toda a moderna tecnologia proporciona às pessoas. Os meios eletrônicos hoje se transformam em ferramentas de trabalho, viabilizam o acesso rápido às informações, inúmeras possibilidades de interação com outras pessoas, infindáveis disponibilidades de pesquisa em todos os campos do conhecimento humano, acesso ás informações de utilidade prática e muitos outros facilitadores da vida moderna. Estamos, pois navegando por mares nunca dantes navegados.
Se navegar é preciso, vou buscar agora, através da atualidade de nosso universo, uma nova conotação que se torne sinônimo de grandes descobertas por mares desconhecidos, com a finalidade de adquirir novos conhecimentos e informações importantes e urgentes.
“Navegar é preciso, viver não é preciso”. Aceito o aspecto dúbio da palavra PRECISO. Podemos entendê-la como verbo ou como adjetivo. Como verbo, a palavra nos convida a ação, nos convida a participar do movimento constante e renovador da vida.
Por isso, (brincadeiras á parte) estamos TODOS conscientes da necessidade das mudanças, mudanças inerentes ao coração humano, para mudar, basta acreditar. Basta acreditar e INVESTIR . Assumir a posição e agradecer a confiança..
Como adjetivo a palavra preciso nos aponta os aspectos exatos, claros e categóricos do ato de partir, navegar, sair dos próprios domínios.
E hoje, ao escrever estas linhas, eu me identifico com o termo adjetivo. Estou começando um novo tempo. Tenho agora a maturidade e confiança necessárias para investir em um novo momento de aprendizado.
O processo nem sempre será fácil e realizador, mas considero este um período vencedor. Afinal aprenderei novos conceitos, viverei em outra sociedade e conhecerei outra cultura.
Quer mais mudanças que isto Sônia Mara?

Assim, através da atualidade de poetas como do grande português Fernando Pessoa, de quem tomei novamente emprestado este verso Navegar é preciso, viver não é preciso, (para fazer algumas considerações a respeito da minha nova vida). Este verso irá auxiliar (espero) nossos “pensares” e possibilitará muita reflexão para aqueles que se dispõe a um pensar constante.
Desejo que cada um de nós, possamos fazer a leitura das diversas possibilidades que esta linguagem poética nos pode oferecer.
Porém o que importa de verdade, apesar dos avanços tecnológicos e da globalização, que ora vivenciamos, é nunca deixarmos de enxergar as várias e múltiplas faces da realidade a que estamos sujeitos no nosso cotidiano, das mais complexas às mais simples, fazendo com que o mais humano nos guie e nos oriente. Não podemos esquecer que o homem NÃO É a medida de todas as coisas. Temos DEUS a nos guiar, em sua infinita sabedoria . E temos também o poder do relacionamento, da conversa ao vivo, do olhar, do toque. E, na minha modesta opinião, há um limite nos mares navegáveis, enquanto que a vida é imprecisa, plena de mistérios e possibilidades. Com seu incomparável poder de criação, por isso, muito interessante e infinitamente bela.

Viver …...Na França....Lyon...Villeurbanne ......29 de Abril 2009

A VONTADE DE IR MAIS LONGE

Viver fora do pais é uma escolha, principalmente se a opçao é estudar ou trabalhar. Partindo deste principio, toda opçao requer decisao, ir ou ficar. Ficar ou ir. E la (nesta questao) està toda a nossa motivaçao, contentamento e vontade.
A vontade nos impulsiona a superar as dificuldades. Porque elas, as dificuldades existem em todos os aspectos.
Sair do nosso pais exige, sobretudo, paciencia para seguir os caminhos administrativos exigidos e indispensaveis para a vida futura. Obter um visa para a França é obrigatorio,(para quem pretende ficar mais de tres meses) abrir uma conta corrente em um banco, também, assim como alugar um apartamento ou studio. Todas estas tarefas, que em nosso pais parecem coisas tao simples, aqui se agigantam. Nao é simples, nao é facil, nao é rapido e custa caro. Por isto é importante, penso eu, que voce esteja preparado financeiramente, com um valor minimo de 1800 reais ao mes, para viver modestamente. Porém, mais importante que tudo isto, é a sua vontade. Crescer, sair do seu ambiente tranquilo e acolhedor, do seu conforto, da sua comodidade e se lançar rumo à um desconhecido tempo, que te trarà experiencias maravilhosas. E tentador e vale a pena, porém, individual, por isto OPCIONAL.
Em termos administrativos, todo o processo é importante. O mais importante, é que voce serà identificado pelos organismos de imigraçao, serà reconhecido, terà a sua identidade francesa temporaria e serà benvindo à França. (Depois da burocracia, vem a bonança).

ETICA
Ao chegar na França com toda esta papelada, voce precisa ainda solicitar o seu “titre de sejour” Mas ai é outra estoria .....
Cumprir todas as formalidades e exigencias para entrar no pais, é fundamental. Mostra a sua responsabilidade, o desejo de concretizar seus sonhos , compartilhar as experiencias com outros estrangeiros e encorajar iniciativas de colegas. A responsabilidade e a transparencia, o exemplo de boa conduta e a dignidade sao as condiçoes morais que te farao sentir-se “em casa”.

VIDAS PARALELAS
O que me marcou quando cheguei aqui na França, em setembro de 2008, foi a “boa acolhida” dos franceses. Moro em Villeurbanne, que é um bairro proximo de Lyon. Aqui é uma (Cidade Universitaria). Tem muitos estudantes brasileiros, distribuidos nas Universidades de Lyon I, Lyon II, Lyon III, entre outras e penso que temos uma boa referencia. Somos um povo benvindo. Tenho boas experiencias e estorias de colegas que estudaram ou estudam nestas Universidades.

Fui recebida pelo Diretor da escola, com um largo sorriso. Os funcionarios que estavam por perto também foram gentis, solicitos e assim continuam, quase um ano depois da minha chegada. Faço Mestrado na Escola Nacional Superior de Ciências da Informação e de Bibliotecas situada em Villeurbanne - France. A L'Enssib ( Escola Nacional Superior de Ciências da Informação e de Bibliotecas) tem como missão formar conservadores e bibliotecários de todos os territórios nacionais e internacionais, que se interessam nos serviços pertinentes a organização de documentos, desenvolvimento de informações cientificas e técnicas e o desenvovimento de pesquisa em Ciências da Informação, Biblioteconomia e História do Livro. É um grande estabelecimento de ensino superior, criado por decreto em 1992, tendo sucedido a l'ENSB (École Nationale Supérieure de Bibliothécaires), criada em Paris em 1963 e transferida para Villeurbanne em 1974. No início de 1999, fez uma fusão com o Instituto de Formação de Bibliotecários, o que faz deste estabelecimento Nacional Frances, o unico na Europa, para formação de profissionais de categoria A na área da Biblioteconomia.
Passam por aqui estudantes de varios paises, e todos os continentes sao representados. Sao pessoas maravilhosas, extraordinarias. Um cadinho para lembrar-se pela vida afora. Este ano letivo de 2008-2009 tenho como colegas estrangeiros duas chinesas, uma africana, um suiço, um algeriano, duas Sirias e uma cubana. A cubana partiu “antes do tempo” . Mas deixou sua marca, contou suas experiencias e nos mostrou um pouco da realidade de seu pais. Trocamos experiencias, compartilhamos com os franceses, nossos anfitrioes, as realidades dos nossos paises. Nos, estudantes, nos enriquecemos com este aprendizado que faz parte do curriculum, de forma “implicita”. Nao tem nota e nem avaliaçoes, mas, acredito que é um dos mais belos e apaixonantes “ensino-aprendizagem” deste periodo como estudante, para todos nos. As vidas que passam e as suas estorias deixam marcas indeléveis na personalidade de cada um. O autor Eric Landowski, em seu livro “A presença do outro” embasado na sociossemiotica, fala da importancia do outro na construçao da nossa identidade. Ele cita tembém algumas especificidades do povo frances e de seu relacionamento com os estrangeiros.....(para ler e refletir)......

ATIVIDADES
Os habitos de vida sao diferentes. Os franceses nao trabalham aos sabados, nem aos domingos.(salvo por motivo de força maior). Os franceses amam “sair de circulaçao” nos dias feriados. Valorizam os dias de sol, lotam os parques, os jardins e as estradas. Partem para regioes proximas ao mar. No inverno vao para as montanhas fazer ski, ou simplesmente passear. Quem nao tem muito dinheiro para fazer viagens caras, vai ao cinema, ao teatro, aos museus e as bibliotecas. Nao esquecendo de comentar, que aqui na França, tudo é pago. Mesmo para fazer carteirinha em uma biblioteca municipal, o cidadao paga. Isto nao é um problema, faz parte da cultura. Aprende-se a valorizar o dinheiro, o patrimonio, a histoira. Valorizar e preservar

PROJETOS FUTURO
Sou herdeira do futuro. Todo o esforço é valido para projetar um espirito que vai pouco mais além, na minha opiniao. Ir mais longe, deixar um traço, fazer projetos que possam benificiar o amanha. Melhorar a qualidade de vida através de açoes concretas é uma atitude que me encanta. Tantas pessoas trabalham para isto no mundo, no Brasil, nas Universidades. Eu quero fazer parte desta grupo.
Espero que este aprendizado, que este conhecimento, que é na verdade, para mim, uma ferramenta indispensavel na construçao deste futuro que desejo, possa me permitir fazer parte dos trabalhos que ja estao em andamento na nossa comunidade. Nao quero descobrir a “America” , ela ja foi descoberta. Mas quero contribuir, fazer parte da construçao dos novos caminhos abertos para atravessarmos as velhas descobertas, inclusive da America.
Fazer a diferença, este é um belo futuro. E para ele que estou olhando neste momento, sem esquecer que o presente é que me levara “petit à petit” em direçao ao futuro que està bem aqui na minha frente.


Bibliografia
Landowski, Eric. Presença do outro :ensaios de sociossemiotica. Perspectiva. Sao Paulo.2002.