domingo, 9 de maio de 2010

Viver …...Na França....Lyon...Villeurbanne ......29 de Abril 2009

A VONTADE DE IR MAIS LONGE

Viver fora do pais é uma escolha, principalmente se a opçao é estudar ou trabalhar. Partindo deste principio, toda opçao requer decisao, ir ou ficar. Ficar ou ir. E la (nesta questao) està toda a nossa motivaçao, contentamento e vontade.
A vontade nos impulsiona a superar as dificuldades. Porque elas, as dificuldades existem em todos os aspectos.
Sair do nosso pais exige, sobretudo, paciencia para seguir os caminhos administrativos exigidos e indispensaveis para a vida futura. Obter um visa para a França é obrigatorio,(para quem pretende ficar mais de tres meses) abrir uma conta corrente em um banco, também, assim como alugar um apartamento ou studio. Todas estas tarefas, que em nosso pais parecem coisas tao simples, aqui se agigantam. Nao é simples, nao é facil, nao é rapido e custa caro. Por isto é importante, penso eu, que voce esteja preparado financeiramente, com um valor minimo de 1800 reais ao mes, para viver modestamente. Porém, mais importante que tudo isto, é a sua vontade. Crescer, sair do seu ambiente tranquilo e acolhedor, do seu conforto, da sua comodidade e se lançar rumo à um desconhecido tempo, que te trarà experiencias maravilhosas. E tentador e vale a pena, porém, individual, por isto OPCIONAL.
Em termos administrativos, todo o processo é importante. O mais importante, é que voce serà identificado pelos organismos de imigraçao, serà reconhecido, terà a sua identidade francesa temporaria e serà benvindo à França. (Depois da burocracia, vem a bonança).

ETICA
Ao chegar na França com toda esta papelada, voce precisa ainda solicitar o seu “titre de sejour” Mas ai é outra estoria .....
Cumprir todas as formalidades e exigencias para entrar no pais, é fundamental. Mostra a sua responsabilidade, o desejo de concretizar seus sonhos , compartilhar as experiencias com outros estrangeiros e encorajar iniciativas de colegas. A responsabilidade e a transparencia, o exemplo de boa conduta e a dignidade sao as condiçoes morais que te farao sentir-se “em casa”.

VIDAS PARALELAS
O que me marcou quando cheguei aqui na França, em setembro de 2008, foi a “boa acolhida” dos franceses. Moro em Villeurbanne, que é um bairro proximo de Lyon. Aqui é uma (Cidade Universitaria). Tem muitos estudantes brasileiros, distribuidos nas Universidades de Lyon I, Lyon II, Lyon III, entre outras e penso que temos uma boa referencia. Somos um povo benvindo. Tenho boas experiencias e estorias de colegas que estudaram ou estudam nestas Universidades.

Fui recebida pelo Diretor da escola, com um largo sorriso. Os funcionarios que estavam por perto também foram gentis, solicitos e assim continuam, quase um ano depois da minha chegada. Faço Mestrado na Escola Nacional Superior de Ciências da Informação e de Bibliotecas situada em Villeurbanne - France. A L'Enssib ( Escola Nacional Superior de Ciências da Informação e de Bibliotecas) tem como missão formar conservadores e bibliotecários de todos os territórios nacionais e internacionais, que se interessam nos serviços pertinentes a organização de documentos, desenvolvimento de informações cientificas e técnicas e o desenvovimento de pesquisa em Ciências da Informação, Biblioteconomia e História do Livro. É um grande estabelecimento de ensino superior, criado por decreto em 1992, tendo sucedido a l'ENSB (École Nationale Supérieure de Bibliothécaires), criada em Paris em 1963 e transferida para Villeurbanne em 1974. No início de 1999, fez uma fusão com o Instituto de Formação de Bibliotecários, o que faz deste estabelecimento Nacional Frances, o unico na Europa, para formação de profissionais de categoria A na área da Biblioteconomia.
Passam por aqui estudantes de varios paises, e todos os continentes sao representados. Sao pessoas maravilhosas, extraordinarias. Um cadinho para lembrar-se pela vida afora. Este ano letivo de 2008-2009 tenho como colegas estrangeiros duas chinesas, uma africana, um suiço, um algeriano, duas Sirias e uma cubana. A cubana partiu “antes do tempo” . Mas deixou sua marca, contou suas experiencias e nos mostrou um pouco da realidade de seu pais. Trocamos experiencias, compartilhamos com os franceses, nossos anfitrioes, as realidades dos nossos paises. Nos, estudantes, nos enriquecemos com este aprendizado que faz parte do curriculum, de forma “implicita”. Nao tem nota e nem avaliaçoes, mas, acredito que é um dos mais belos e apaixonantes “ensino-aprendizagem” deste periodo como estudante, para todos nos. As vidas que passam e as suas estorias deixam marcas indeléveis na personalidade de cada um. O autor Eric Landowski, em seu livro “A presença do outro” embasado na sociossemiotica, fala da importancia do outro na construçao da nossa identidade. Ele cita tembém algumas especificidades do povo frances e de seu relacionamento com os estrangeiros.....(para ler e refletir)......

ATIVIDADES
Os habitos de vida sao diferentes. Os franceses nao trabalham aos sabados, nem aos domingos.(salvo por motivo de força maior). Os franceses amam “sair de circulaçao” nos dias feriados. Valorizam os dias de sol, lotam os parques, os jardins e as estradas. Partem para regioes proximas ao mar. No inverno vao para as montanhas fazer ski, ou simplesmente passear. Quem nao tem muito dinheiro para fazer viagens caras, vai ao cinema, ao teatro, aos museus e as bibliotecas. Nao esquecendo de comentar, que aqui na França, tudo é pago. Mesmo para fazer carteirinha em uma biblioteca municipal, o cidadao paga. Isto nao é um problema, faz parte da cultura. Aprende-se a valorizar o dinheiro, o patrimonio, a histoira. Valorizar e preservar

PROJETOS FUTURO
Sou herdeira do futuro. Todo o esforço é valido para projetar um espirito que vai pouco mais além, na minha opiniao. Ir mais longe, deixar um traço, fazer projetos que possam benificiar o amanha. Melhorar a qualidade de vida através de açoes concretas é uma atitude que me encanta. Tantas pessoas trabalham para isto no mundo, no Brasil, nas Universidades. Eu quero fazer parte desta grupo.
Espero que este aprendizado, que este conhecimento, que é na verdade, para mim, uma ferramenta indispensavel na construçao deste futuro que desejo, possa me permitir fazer parte dos trabalhos que ja estao em andamento na nossa comunidade. Nao quero descobrir a “America” , ela ja foi descoberta. Mas quero contribuir, fazer parte da construçao dos novos caminhos abertos para atravessarmos as velhas descobertas, inclusive da America.
Fazer a diferença, este é um belo futuro. E para ele que estou olhando neste momento, sem esquecer que o presente é que me levara “petit à petit” em direçao ao futuro que està bem aqui na minha frente.


Bibliografia
Landowski, Eric. Presença do outro :ensaios de sociossemiotica. Perspectiva. Sao Paulo.2002.

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